a Bombinhas em Foco ( 17/12/2017 ) a

Mar avança e reduz a faixa de areia na praia em Bombinhas e Itapema

Em meio a um mar de guarda-sóis que se espreme na diminuta faixa de areia, Ronaldo Ribeiro de Oliveira, 46 anos, procurou em vão um espaço para colocar a cadeira de praia. Turista de Cuiabá (MT), ele esperava aproveitar o dia em Bombinhas, mas já estava a ponto de desistir da ideia.

No local onde esperava ficar, a faixa de areia não chegava a quatro metros de largura. O fenômeno, que surpreendeu turistas e se repetiu em outras praias da região, é creditado por especialistas à frente fria que chegou ao Litoral nos últimos dias, e empurrou a água do mar em direção à praia.

- A frente fria vai empilhando a água junto à costa e diminuindo a faixa de areia - explica João Thadeu de Menezes, doutor em Geologia Marinha e professor da Univali.

Segundo ele, embora pareça similar à erosão, que atinge praias como Balneário Piçarras e Gravatá, em Navegantes, o fenômeno não significa, aparentemente, que a areia esteja sendo engolida pelo mar.

- O mar está muito agitado mas não se tem registro de indícios de erosão, pelo menos não se notou isso em anos anteriores. A princípio, não é um indicativo de problemas mais graves - diz José Gustavo Nartof de Abreu, doutor em Geociências.

Aperto

Com pouco espaço na faixa de areia, o jeito é deixar os pés na água. Ao menos foi assim que a família de Ana Paula Machado, 49, de Curitiba (PR), conseguiu se ajeitar. Couberam mesinha, cadeiras e guarda-sol - mas só o alugado ali, na beira da praia. Os apetrechos que a família trouxe de casa não tiveram espaço para serem instalados.

- Faz 10 anos que venho para cá e percebi que a faixa de areia reduziu bastante. Ainda bem que a praia é linda, senão perderia os turistas - disse Ana Paula.

Secretário de Infraestrutura de Bombinhas, Rubens Spernau (PSDB) diz não ter notícia sobre uma possível erosão na principal praia da cidade. Mas defende o mapeamento e projetos de recuperação costeira nos pontos atingidos em toda a costa catarinense, com auxílio do governo do Estado.

Dividindo espaço com o calçadão

Impressionante. Foi assim que Cláudia Costa, 40 anos, definiu a redução da faixa de areia na Meia Praia, em Itapema, nos últimos dias. Moradora de Santa Maria (RS), ela passa o verão na cidade há quatro anos e afirma nunca ter visto tamanha diferença. Sem espaço, acabou estendendo a toalha no último pedaço de areia livre que encontrou, junto da estrutura do Parque Calçadão.

Vendedor de milho e churros, Renato da Silva, 46, diz que o calçadão é parcialmente responsável pela diminuição da faixa de areia em Itapema:

- A estrutura ficou bonita, mas os deques maiores tiraram espaço da praia - acredita.

A assessoria de comunicação de Itapema informou que a equipe do prefeito Rodrigo Bolinha (PSDB), que assumiu em 1º de janeiro, ainda está se inteirando dos problemas da cidade e, portanto, não se manifestaria ainda sobre a infraestrutura da praia.

Situação começa a melhorar hoje A notícia é boa para quem pretende se estender na areia pelos próximos dias. Após uma semana de pouco espaço, o responsável pelo laboratório de Climatologia da Univali, Sergey Alex de Araújo, afirma que a situação deve melhorar nas praias da região a partir desta segunda-feira.

- Nesta segunda-feira começa a normalizar, o mar está mais tranquilo.

No auge da passagem da frente fria pela região, na quinta-feira, a ondulação chegou a quatro metros em alto-mar. Nesta segunda, a expectativa é que a maré não passe de meio metro.

- O vento que passa com a frente fria cria a ondulação, que demora para perder energia. É como assoprar uma bacia com água, os efeitos duram por algum tempo - explica Sergey.

Os efeitos só são sentidos fortemente na região porque estamos acostumados ao que os especialistas chamam de micromaré, que tem variação média de 0,4 a 1,2 metro. Em lugares como a costa do Maranhão, a maré pode chegar a 11 metros.

O fenômeno

� O que ocorreu na região nos últimos dias foi uma conjunção entre a maré astronômica, aquela que varia conforme a lua e a hora do dia, e a maré meteorológica, que tem influência das condições climáticas

� O vento carregado pela frente fria, vindo do Sul, encontrou na costa o que os especialistas em geologia marinha e oceanografia chamam de força de coriolis, que atua sobre a superfície da água e em sentido anti-horário

� O encontro das duas forças tende a empilhar as águas, empurrando-as para a costa além do normal

� O resultado é o avanço do mar, que estreita a faixa de areia. Quando paralisam os efeitos da força, a tendência é que tudo volte ao normal



Fonte: A NOTÍCIA (Joinville – SC)

 

 

 

 

 

 

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