a Bombinhas em Foco ( 30/05/2017 ) a

Atraso marca transição de governos no Litoral

Se em Florianópolis, Joinville e Blumenau a tranquilidade marca a troca de comando nas prefeituras, no Litoral o cenário é o oposto. Em duas das quatro cidades da região que mudam de governo no próximo ano, as reuniões nem começaram, e em outra delas os primeiros encontros trouxeram poucos avanços até agora.

A situação mais delicada é em Itapema, onde o prefeito Sabino Bussanello (sem partido) ainda não recebeu representantes do próximo administrador, Rodrigo Bolinha (PSDB). O tucano informa que Bussanello só aceita conversar após a diplomação dos eleitos, marcada para 14 de dezembro. Restariam, portanto, apenas 17 dias para se inteirar dos processos públicos antes da posse – em um período com feriados de Natal e Ano-Novo. Bolinha afirma que solicitou um gabinete de transição pensando principalmente nas condições da alta temporada de verão, mas a resposta não foi a esperada.

– A decisão do prefeito Sabino afeta o início da nossa gestão, mas afeta principalmente toda a comunidade de Itapema, que merece nosso respeito do começo ao fim de uma administração pública. Atitudes assim demonstram falta de compromisso com a cidade e irresponsabilidade com o povo – declara Bolinha.

Bussanello se pronunciou somente por meio de nota oficial à imprensa. No texto, reafirma que a transição oficial só começa após a diplomação de Bolinha, respaldada pela Constituição de 1988. Sobre as informações públicas solicitadas, o atual governo de Itapema pondera que tudo está disponibilizado em canais como o Tribunal de Contas da União e o espaço Transparência Itapema.

Melhor cenário é o de Porto Belo

Em Balneário Piçarras, o prefeito eleito Leonel Martins (PSDB) tenta há 20 dias, sem sucesso, contato direto com o atual gestor, Umberto Luiz Teixeira (PP). Segundo ele, não houve nenhuma resposta ao requerimento e a preocupação é a mesma que existe em Itapema: o verão e os milhares de turistas que vêm ao Litoral.

– Tivemos a informação que a transição começaria só em 20 de dezembro, o que para nós seria complicado. Existem contratos vencendo em 31 de dezembro. São muitas demandas para o começo da temporada e ainda não há nenhuma conversa – lamenta.

Teixeira argumenta que, neste momento, o governo municipal está trabalhando internamente nas prestações de contas para a transição. Ele diz que ainda não houve reuniões porque todas as secretarias estão empenhadas em elaborar levantamentos detalhados patrimoniais, orçamentários, de recursos humanos e emendas parlamentares.

– Continuamos trabalhando com o mesmo empenho de sempre e o processo de transição corre dentro da normalidade – diz.

Os primeiros contatos para discutir a troca de governo em Bombinhas ocorreram logo após as eleições, na segunda semana de outubro. De acordo com a prefeita eleita Ana Paula da Silva (PDT), a receptividade do prefeito Manoel Marcílio dos Santos, o Maneca (PP), foi positiva, indicando facilidade nas conversas. Equipes de transição foram formadas nos dois lados, mas a reunião inicial não atendeu às expectativas de Ana Paula.

– O prefeito tem boa vontade conosco, mas percebemos resistência de alguns secretários. Até agora não recebemos nenhuma informação concreta sobre os serviços de infraestrutura que precisam ser adotados em janeiro, como creche de verão, lixo e água. Pedimos mais engajamento nesse processo, pelo bem da sociedade, e esperamos que a situação melhore – observa.

O prefeito Maneca garante que as portas da prefeitura estão abertas à transição, sem nenhuma resistência. Para ele os conflitos só existem porque Ana Paula critica publicamente integrantes do governo pepista, que acabam reagindo:

– Teve queda de braço com algumas secretarias, mas da nossa parte está tudo certo.

O melhor panorama entre as transições do Litoral ocorre em Porto Belo. O prefeito eleito Evaldo José Guerreiro Filho (PT) já teve duas conversas pessoalmente com o atual gestor Osvaldo Claudino Ramos Filho, o Vadinho (PSD) e uma com o chefe de gabinete. Ele revela que a receptividade foi tranquila e diz que o pessedista prometeu deixar todas as questões encaminhadas.

– Temos dúvidas e preocupações sobre a continuidade administrativa dos serviços em Porto Belo, mas me cabe acreditar que as coisas serão resolvidas – completa.

A reportagem tentou falar com o prefeito Vadinho desde quarta-feira da semana passada mas não houve resposta até o fechamento desta edição



Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA (Blumenau – SC)

 

 

 

 

 

 

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