a Bombinhas em Foco ( 21/11/2017 ) a

Perto dos livros, longe das drogas e do crime

No meio da natureza, rodeada pelo som de pássaros e instalada ao lado de um córrego, está a biblioteca. Simples, feita de madeira e bambu. É ali que a imaginação aflora. As estantes feitas com móveis antigos guardam as histórias. Até uma canoa foi modificada para armazenar os livros. O lugar foi criado em 2009 na Comunidade Terapêutica Viver Livre, de Balneário Camboriú. A arrecadação de livros feita pela Ação Literária, campanha promovida pela prefeitura, deu a oportunidade de aprendizagem e entretenimento aos dependentes químicos do local.

– Já li vários livros nestes quatro meses que estou aqui em recuperação. Gosto dos de ação e dos que, de alguma maneira, me ajudam a sair dessa – conta Kalus Rosa de Córdova, 40 anos, que está na casa por conta do envolvimento com o álcool.

A biblioteca da Comunidade Terapêutica Viver Livre conta com aproximadamente 300 livros. No acervo há obras variadas, que vão desde as histórias brasileira e mundial, até os contos e autoajuda. O lugar é cuidado por Otto Fuchs, 47 anos, graduado em História e Filosofia, e pós-graduado em História do Brasil. Ele chegou a ser professor universitário, mas perdeu tudo ao se envolver com a bebida. O hábito de beber caipirinha nos finais de semana se agravou. No ápice do alcoolismo, Fuchs chegou a ingerir álcool de cozinha e etanol.

– Eu morava no Paraná. Perdi meu emprego, minha família, meu dinheiro e comecei a vagar pelas cidades. Cheguei a trabalhar como professor em Brusque e Bombinhas, mas não deu certo, pois eu era um professor que cheirava a álcool. Acabei tendo que morar na rua e fui preso por não pagar pensão aos meus filhos – relembra.

Internos reservam duas horas para lazer e leitura

Fuchs foi recolhido do relento pelo Programa de Resgate Social da Prefeitura de Balneário Camboriú e aceitou se tratar. Está há cinco meses na comunidade, onde busca a recuperação pela segunda vez. Os livros estão o ajudando.

– É uma ocupação. Eu organizo a biblioteca e leio bastante. As obras de filosofia são minhas preferidas. Além disso, ajudo os meus colegas na escolha dos livros para o entretenimento.

Na Comunidade Terapêutica Viver Livre, os internos, com idades entre 18 e 65 anos, reservam cerca de duas horas para o lazer na biblioteca todos os dias. A ideia deu tão certo que o local passou a ser frequentado pela grande maioria.

– O residente precisa se reabilitar também com a educação e a leitura. Isso é muito importante para o pós-tratamento, quando eles buscam a ressocialização no mercado de trabalho – completa a fundadora da comunidade, Sirlei dos Santos Caçapietra.



Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA (Blumenau – SC)

 

 

 

 

 

 

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