a Bombinhas em Foco ( 18/08/2017 ) a

A nação do sol

Oito municípios entre Piçarras e Bombinhas acumulam 1,7 milhão de pessoas na temporada: é quase metade da população do Uruguai Talvez você tenha cruzado as praias lotadas do Litoral Centro-Norte sem nunca cogitar, mas o seu destino de férias reserva um potencial comparado ao de uma nação emergente. Com população flutuante que alcança 1,7 milhão de pessoas entre os dias 23 de dezembro e 10 de janeiro, os oito municípios entre Balneário Piçarras e Bombinhas chegam a abrigar seis vezes mais pessoas do que no restante do ano – e quase a metade dos 4 milhões de turistas estimados pela Santur para todo o Estado. Somadas, é como se a metade da população do Uruguai decidisse passar o verão no mesmo lugar, e ao mesmo tempo. Ou como se um terço da população catarinense veraneasse na nossa orla.

A concentração populacional da temporada reflete diretamente na economia. Somente na temporada, cada veranista que passa pelas praias contribui com 30% dos R$ 13 bilhões do Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas produzidas nas oito cidades). Esta unidade territorial imaginária superaria o PIB de Tocantins, Amapá, Acre e Roraima. Se as cidades do Litoral se separassem de Santa Catarina e formassem um território autônomo, ostentariam o 22º maior PIB entre os estados brasileiros. Cada morador também receberia uma renda média de R$ 8 mil por mês, superando o rendimento de paraenses, cearenses, paraibanos, alagoanos, maranhenses e piauienses.

Mas terminada a temporada, os oito municípios se sustentam pelo trabalho e pelos tributos de 470 mil pessoas, os moradores permanentes. Com o orçamento comprometido, as prefeituras encaram um dilema: se dividem entre planejar para abrigar o turista ou garantir a comodidade do morador.

Especialista em Turismo, Josiane da Luz ressalta a diversidade do litoral catarinense como principal atrativo. Mas adverte: para se explorar ainda mais o potencial da região, abrigar mais pessoas e potencializar a economia serão necessários investimentos em infraestrutura.

– Os municípios precisam pensar na população fixa. Se faltam serviços básicos para quem mora ali, a chegada de turistas e o aumento populacional trarão transtornos. E serão sinônimo de problema e de preconceito com o turista. Não adianta crescer se a população local não vê a atividade turística com bons olhos – analisa Josiane.



Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA (Blumenau – SC)

 

 

 

 

 

 

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