a Bombinhas em Foco ( 14/12/2017 ) a

A nova missão dos Schürmann, por Luiz Henrique da Silveira*


Com paixão igual à de um jovem pela primeira namorada, Vilfredo Schürmann está pilotando um novo e extraordinário projeto. De vez em quando me telefona, entusiasmado, ofegante, para informar uma nova descoberta sobre o U-513, o submarino alemão afundado na nossa costa, próximo da ilha das Galés.
Eu cresci ouvindo uma série de crendices. Meu avô, Annibal Clímaco, me contou várias vezes que pescadores diziam ter avistado, de madrugada, submarinos alemães sendo reabastecidos por descendentes germânicos na baía do Cachadaço (ou Caixa d'Aço), na sua Porto Belo, ali onde hoje se encontram as marinas do Iate Clube.
O afundamento do U-513 e o resgate de sete tripulantes, dentre os quais o famoso capitão Friedrich (Fritz) Guggenberger, aumentaram esses rumores, que a pesquisa comandada por Vilfredo Schürmann está desmentindo totalmente, pois os submarinos alemães, que operavam distante de seu país, eram abastecidos em alto-mar, por um submergível conhecido como "Kuhmlicht" (vaca leiteira).
Vilfredo e Heloisa Schürmann comandam uma equipe de pesquisadores que vasculha arquivos, museus e bibliotecas; entrevista pessoas; filma locais e objetos, tendo já assegurada a veiculação de seu documentário, no Brasil e no mundo.
A história é emocionante! Envolve a saga dos temíveis submarinos alemães da Segunda Guerra Mundial; revela a verdadeira face do famoso comandante Guggenberger; e tem a possibilidade de resgatar a "Enigma", máquina de escrever, criptográfica, conhecida como "rotor de cifra", que enviava mensagens em código, envolvendo 159 trilhões de combinações, que permaneceram, por muito tempo, indecifráveis.
O U-513, que começará a ser "visitado" por uma espécie de submarino robô, afundou vários navios, dentre eles o brasileiro Tutoia, o sueco Venedig (Venezia), os norte-americanos Elihu W. Walburne, Eagle e Richard Cashwell, bem como o inglês Incomati. Mas Guggenberger já ficara conhecido por outros torpedeamentos. Quando integrava a tripulação do US-81 (submarino de geração anterior), pôs a pique, em abril de 1941, o porta-aviões inglês Ark Royal, que havia liderado o afundamento do poderoso Bismark.
Vilfredo e equipe entrevistaram, por telefone, o piloto Roy S. Withcomb, comandante do hidroavião Mariner 74-P5, que narrou detalhes das seis bombas lançadas e do afundamento do U-513, cerca de 15h30 do dia 19 de julho de 1943. Obtiveram, ainda, um longo e detalhado depoimento do rádio-operador William Stots, último tripulante vivo do 74-P5.
Enquanto isso, Heloisa, fazendo uma varredura nos arquivos nacionais dos Estados Unidos, já obteve o plano de voo; e outra equipe, comandada pelo especialista em submarinos Axiel Nestlié, obteve cópia das mensagens (são 160 páginas) enviadas pelo U-513 antes de ser afundado.
Com a mesma perícia e esmero com que prepararam e realizaram suas exitosas viagens transoceânicas, os Schürmann trabalham nesse projeto, cujo produto final será a construção de uma réplica do submarino alemão a ser exposta no seu museu, em Bombinhas.
E, quem sabe, outra, no Museu do Mar, em São Francisco do Sul?
*Ex-governador do Estado




Fonte: A NOTÍCIA (Joinville – SC)

 

 

 

 

 

 

banner

Copyright © 2007 Todos os Direitos Reservados - Fazendo Site