a Bombinhas em Foco ( 18/11/2018 ) a

SC: um crítico Litoral

Fenômeno mundial que se registra hoje em praticamente todos os países, a urbanização acentuada encontra um agravante em Santa Catarina e em outros estados brasileiros: a litoralização. Tema predominante nas duas últimas campanhas eleitorais, volta à ordem do dia com a divulgação da última pesquisa do IBGE sobre aumento da população, cujos dados foram revelados pelo Santa na edição de final de semana, com várias tendências a merecer destaque. A mais polêmica trata justamente do crescimento acelerado das principais cidades do Litoral, transformadas em atrativos polos regionais.

Pelas manifestações de domingo, o tema deve ser retomado na Assembleia Legislativa a partir de nota distribuída pelo ex-governador Esperidião Amin, principal adversário do governador Luiz Henrique, que tem marcado sua presença no Executivo por frequentes discursos contra a litoralização e sempre em defesa da descentralização do governo. O presidente Joares Ponticelli anunciou em Tubarão que tratará do assunto terça-feira. Justificou: “O IBGE atingiu o coração, o governo, a alma da descentralização”.

O Instituto indica, por exemplo, que o aumento da população de Florianópolis foi de 43,07%, enquanto em Bombinhas atingiu a marca dos 102,77%, e Barra do Sul 74,88%, no Norte, contra 62,42% de Arroio do Silva e 61,02% de Gaivota, no Sul. Esperidião Amin aproveitou os números do IBGE para alfinetar o governo: “Dentre as subsidiárias da expressão descentralização, o fim da ambulanciaterapia era oferecido como remédio que resultaria dessa linha de governo. A descentralização, na prática, resultou no “vitorioso” (em termos eleitorais) modelo de “cabides de empregos”. A ambulanciaterapia, em vez de ser extinta, resultou em ambulâncias maiores e mais potentes, com a justa concessão de prêmios aos seus heróis-motoristas.”

O governador Luiz Henrique deverá falar sobre os números do IBGE somente esta semana, segundo a assessoria. Mas já tem presente dados que indicam o êxito da descentralização. O melhor exemplo seria Calmon, no Vale do Rio do Peixe, que cresceu 100,52%. Por ali passa a rodovia entre Porto União e Caçador, inaugurada no primeiro mandato de Luiz Henrique, depois de mais de 50 anos de reivindicações.

Esperidião Amin sustenta que existem “razões objetivas e decorrentes da ação ou inação governamental para isto. Indaga: “Por que, para exemplo, União do Oeste perdeu mais de 20% da sua população? Além das razões mundialmente presentes, o inexplicável abandono de programas bem-sucedidos como o de reflorestamento com antecipação de renda, crédito fundiário e outros que contribuem para elevar a renda das nossas famílias de agricultores. Sem renda, só uma estrada é, há séculos, conhecida: a do êxodo rural, em Santa Catarina, para o Litoral.”

Estatística impactante em qualquer análise aponta a Capital como a situação mais grave. O IBGE informa que Florianópolis recebe mais de 5 mil habitantes por ano. Quer dizer: em seis anos a cidade, que tem limites rígidos pela condição insular, recebe uma nova Joaçaba. E está evidente que o poder público, em todos os níveis, não tem recursos e mecanismos para resolver os problemas graves decorrentes desta forte migração. Enquanto os empreendimentos que podem gerar empregos recebem um bombardeio de órgãos públicos e Ongs, a especulação imobiliária avança de forma descontrolada, comprometendo a qualidade de vida na cidade.
Seu futuro? Uma incógnita!




Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA (Blumenau – SC)

 

 

 

 

 

 

banner

Copyright © 2007 Todos os Direitos Reservados - Fazendo Site