a Bombinhas em Foco ( 16/11/2018 ) a

Pesca silenciosa

Do nascer do sol até o último feixe da luz do dia, pescadores artesanais fazem jus ao nome da Praia da Tainha nesta época do ano. Atrair os cardumes que dormem nos costões e cercá-los, na tranquila bacia, custa a um grupo de 16 camaradas um verdadeiro retiro de 45 dias. As normas rígidas seguidas pelos pescadores na praia, como o silêncio quase absoluto, a proibição de corridas na areia e de banhos de mar, tornaram-se uma espécie de lei paralela, mas aplicada a qualquer visitante que pisa no local, entre maio e julho.

Os pescadores justificam que quase toda interferência do homem na praia espanta os cardumes de tainha. Com a faixa de areia de pouco mais de 300 metros, fica mais fácil controlar o entra-e-sai, segundo os pescadores. O guarda-vidas Luiz Alberto da Silva, que vigia a chegada dos peixes do alto do morro, a 50 metros de altura, diz que a tainha é arisca e muito sensível ao som:

– É um peixe muito bravo e qualquer batidinha na areia espanta. As conversas que vêm lá debaixo ecoam nessas pedras. O barulho alcança os peixes. Aí perdemos, porque um cardume não volta mais.

Ontem, enquanto esperavam o apito do olheiro, os pescadores conversavam baixinho em torno da canoa, em um dia sem visitantes ou curiosos que costumam lotar a areia nos fins de semana.

– Proibir as pessoas de entrar (na praia) a gente não pode, só pedimos respeito. Não dá para as crianças correrem, não dá para pescar no costão. Mas é só uma vez por ano, por isso a gente pede paciência – diz o funcionário público Renato Ventura.

Ele aproveitou uma licença-prêmio para se iniciar na pesca artesanal da tainha, este ano. À noite, Ventura ainda trabalha como vigia, nas pedras, para evitar que pescadores de outras praias, tidos como concorrentes, desviem os cardumes que dormem no costão da Tainha.



Fonte: JORNAL DE SANTA CATARINA (Blumenau – SC)

 

 

 

 

 

 

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