a Bombinhas em Foco ( 16/11/2018 ) a

VILA DO SAPO, CARNAVAL DE BOMBINHAS NOTA ESCLARECEDORA


Rua Salmão. Centro de Bombinhas. Carnaval de 1.985. Um grupo de amigos, reunidos na casa da Rô e do Caveira, improvisaram fantasias para seus filhos e, com a ajuda de um rádio com fitas K-7 movido a pilhas resolveu compartilhar a sua alegria com o nosso povo pela avenida do centro. Seu Denisarte (in memorian), em homenagem as noites mal dormidas em função da cantoria do sapo martelo e seus inúmeros “parentes”, não perdeu a oportunidade da piada: “ - Olha aí, o pessoal da Vila do Sapo!”. Era o começo de uma história de sonhos, que contagiou durante 24 anos diversas gerações de moradores e turistas.

Os anos se passaram, e o pessoal da Vila do Sapo, em repetidos atos de desprendimento e generosidade, com o único objetivo de nos presentear com momentos de felicidade e diversão, passou a assumir responsabilidades. E como tudo o que é feito com amor só pode dar bons frutos, a Vila hoje reúne uma legião de apaixonados, em vinte e quatro anos de trabalho, que abrange, nos dias de hoje, além dos belíssimos desfiles, feijoadas e diversas ações de voluntariado.

A História da Furiosa não é muito diferente. Quem tem de seis a sessenta anos e mora ou veraneia no centro, certamente torce ou participa de algum dos dois blocos carnavalescos. São 24 anos de uma história de amor, não são 24 dias.

Não queremos excluir as pessoas ou instituições de emitir opiniões sobre o carnaval. A Vila do Sapo, definitivamente, não está e nunca esteve em crise financeira. E, mais ainda, não se trata de uma questão de capricho: se não for assim ou assado, então eu não brinco mais. Nosso objetivo, com essa carta, é apenas estabelecer a justiça e a verdade.

A Vila do Sapo, embora seja uma instituição cultural, de entretenimento, é uma ONG séria (OSCIP) e altamente organizada. É composta por uma diretoria eleita a cada três anos, movimenta mais de 50 mil reais por ano, e cuida de cada detalhe para que aproximadamente mil e quinhentas pessoas (algumas vezes mais de duas mil pessoas) possam participar do seu desfile.

Como, ao longo dos anos, a Vila do Sapo se caracterizou por ser um tipo de carnaval com a participação de famílias, tivemos neste último ano a presença de dezenas de crianças de colo (algumas ainda bebês) e de alguns cadeirantes, que se divertiram sem sofrer nenhum tipo de

preconceito e agressão, é claro. Além dos aparatos de som, da bateria, a Vila contrata, há alguns anos, uma empresa de segurança especializada em eventos com cinqüenta homens treinados para garantir o bem-estar dos foliões, até porque o município nunca disponibilizou nada neste sentido.

Retomando o fio da história, vamos agora tratar do início de todo esse conflito. No carnaval de 2007, a Vila, sempre irreverente, trouxe em seu enredo uma referência a um fato político local, que questionava diretamente atitudes do Prefeito à época, como sempre fez, de forma respeitosa, sátiras a fatos políticos, personalidades locais, regionais ou nacionais. Até porque, diga-se de passagem, a Vila surgiu antes ainda da emancipação do município. Já na primeira noite de desfile a administração municipal simplesmente lavou as mãos. Todos devem lembrar que o acesso ao Mariscal estava intransitável, o desvio não pôde ser utilizado por falta de manutenção, a Prefeitura negou-se a disponibilizar os fiscais de verão para auxiliar na organização, não havia sequer um representante legal da Secretaria de Turismo ou de outro setor que se pudesse conversar, não havia atendimento médico público disponível em nenhum ponto do município. Ainda com essa ausência do Poder Público, o desfile aconteceu sem maiores problemas.

Na segunda noite de desfile, numa atitude revanchista, o Alcaide não permitiu que a escola saísse da concentração. A partir daí a força do poder começara a sufocar a vontade popular. Na ausência de diálogo com o Poder Público, a Vila do Sapo viu-se obrigada a prestar esclarecimentos na imprensa. Todo esse desgosto nos custou o afastamento de membros antigos da Diretoria, que nunca mais participaram da organização dos desfiles. (Em tempo: Essa distância, talvez até mesmo por falta de conhecimento acerca das questões da Vila por parte dessas pessoas, resultou em comentários recentes, equivocados e prejudiciais em relação à própria Vila do Sapo e ao carnaval em Bombinhas.) É oportuno esclarecer, inclusive, que a Vila do Sapo jamais deixou de ressarcir todo e qualquer tipo de despesa emitida em seu nome durante os preparativos de carnaval, quando requerido pelos seus colaboradores que assim desejavam.

Como castigo, no ano seguinte (2008) a Prefeitura começa a potencializar e valorizar as dificuldades em permitir o desfile carnavalesco em Bombinhas. Furtivamente, deixa impor-se uma imagem às escolas de gente baderneira. Joga nas mãos dos setores de segurança pública a responsabilidade de decidir o destino de toda uma comunidade que, por mais de vinte anos, brindou o carnaval ao lado da Vila do Sapo e da Furiosa. Às vésperas do carnaval, em nome do compromisso com todos os amantes da Vila, a diretoria curvou-se diante da decisão intempestiva do Executivo e, mesmo sendo alvo de comentários capciosos e abaixo-assinados de protesto, desfilou em Bombas. A comunidade, infelizmente, não pôde participar das discussões, o enfoque dado era de algo pernicioso e prejudicial à cidade, com risco iminente de tragédia, como falado nas reuniões.

O Comtur não tomou posição. A presidência da AEMB nunca se fez presente nessas reuniões, para discutir com quem de direito sobre o assunto. A impressão que ficou é que seguiram essa onda e nenhum esforço fizeram para preservar e assegurar a continuidade do evento carnaval. A cada encontro oficial organizado pela Prefeitura, era como se o carnaval do Centro só interessasse a meia dúzia de pessoas da Vila e da Furiosa, e todas as outras pessoas que estavam participando das reuniões, pareciam apenas procurar alguma forma de dificultar ou, no máximo, encontrar alguma saída honrosa, política, para o “transtorno” CARNAVAL.

Os comerciantes, (bares, restaurantes,) principalmente aqueles localizados na área de concentração ou no trajeto do desfile do Centro, gostavam, pelo generoso faturamento alcançado, tanto que reclamaram à Diretoria da Vila pela alteração de local de desfile para Bombas.

É absolutamente impossível negar que todos esses fatos tiveram um forte fundamento político, arranjado com muita competência e, infelizmente, patrocinado pelos órgãos de segurança pública da cidade, até mesmo por falta de opção.

Pessoas que sequer participaram do carnaval do Centro, mesmo com boas intenções, começaram a manifestar opiniões desencontradas, como se todos esses anos não tivessem nenhum valor para a nossa sociedade. E esse episódio tornou-se um desastre. Quem participou ativamente desse processo guardou consigo um sentimento de frustração e revolta, de impotência, porque é muito injusta a briga com o poder público. E a vontade da maioria, a vontade popular, foi enterrada.

Lembramos que o Carnaval de Bombinhas, pelas suas peculiaridades, foi sempre, a maior festa popular de Bombinhas e a de maior apelo aos moradores e aos turistas que sempre se comportaram de forma civilizada. Aliás, nenhuma ocorrência de desordem importante ocorreu em todos esses anos.

O carnaval , enquanto festa popular, acontece nas cidades, ou em locais de interesse do povo (em Floripa, o Berbigão do Boca desfila nas ruas centrais, em Salvador, Olinda, etc.) ou em locais tipo Sambódromo, quando de forma profissional. Por que aqui não é possível?

Tecnicamente, é bom esclarecer que o desfile carnavalesco no Centro é mais do que viável. Rechaçamos violentamente qualquer outro argumento contrário porque temos expertise no assunto. Ficam os seguintes questionamentos: Por que a Prefeitura não prepara o já conhecido desvio? Por que não faz a devida manutenção do morro do Mariscal? Por que não mantém um plantão médico no posto de saúde do centro? Por que não qualifica os fiscais contratados para auxiliar na organização dos desfiles? Por que não mantém uma ambulância de plantão na rua Tubarão?

O Desfile da Vila e da Furiosa não chega a 500m, meus amigos. Juntas, reunimos não mais do que três mil pessoas desfilando e um público de mais de 20 mil pessoas assistindo e se divertindo. Se uma cidade turística não consegue organizar um evento de rua para não mais do que trinta mil pessoas, então o que queremos com o turismo de entretenimento?

Nós tínhamos, de fato, uma grande expectativa em relação a 2009. Isso porque o nosso Prefeito Eleito, assim como outros candidatos, prometeu para diversos eleitores do centro que nós teríamos novamente o carnaval em Bombinhas. Prometeu. E não teve sequer a disposição de participar conosco das reuniões para discutir o carnaval. Da polícia Militar, Civil e Corpo de Bombeiros não poderíamos esperar nada. Até porque carnaval não é a especialidade desses órgãos. Não é função da polícia deliberar sobre esse assunto. Mas não podemos deixar de nos perguntar: - Não vamos ter o carnaval em Bombinhas porque o novo governo tem medo de assumir responsabilidades? – Não sabe como faze-lo? – Não se importa com a vontade popular? – concorda com as atitudes do governo anterior? Ou, se não é nada disso, porque nos fez acreditar que seria diferente?

Que fique claro que a Vila do Sapo estava pronta para desfilar no carnaval de 2009. Com bateria, samba enredo, camisetas, segurança, e tudo o que tem direito. Mas a nossa Diretoria tem o dever de atender os interesses do coletivo, que até não se opõe em desfilar uma noite em Bombas, mas também pleiteia o direito de manter as suas tradições.

Acompanhamos, agora, uma tentativa quase desesperada de algumas pessoas em dar uma resposta a tudo isso. Para mostrar que tem razão. Envidam-se esforços em angariar fundos para contratar trios-elétricos, shows, etc. Nada contra. Novas atrações certamente vão enriquecer o nosso produto turístico. Mas porque não pode, também, auxiliar a Furiosa, já que a Vila do Sapo não necessita de recursos públicos? Porque não estimula os novos blocos carnavalescos que tem surgido nos últimos anos, em toda a cidade?

Lamentamos por nós todos, por milhares de pessoas, como se estivessem presenciando, sem poder fazer nada, o seu time de futebol do coração sendo banido na partida final do campeonato por um erro do juiz.

Lamentamos pelos novos blocos carnavalescos que estão surgindo, com futuro incerto nessa terra marcada por injustiças.

Lamentamos pela falta de sensibilidade de quem poderia mudar esse quadro, e que despreza a vontade popular.

Lamentamos pelas promessas não cumpridas a sua gente mais simples, e pela falta de vontade para buscar soluções. Lamentamos pelo comodismo. Lamentamos pelo excesso de poder de alguns e abuso de poder de outros.


Lamentamos por estarmos vivendo esse episódio desgostoso em nossas vidas, mas necessário e esclarecedor.

Não, não é nossa pretensão termos razão. Queremos apenas ter o direito de nos sentirmos livres e felizes, nesse paraíso abençoado por Deus e ainda tão maltratado pelos homens, lugar que nascemos, escolhemos para viver ou passar nossa férias.

Neste ano, com muita TRISTEZA, pela primeira vez em 24 anos, por todos os motivos acima, NÃO DESFILAREMOS.

ROSANGELA ESCHBERGER
PRESIDENTE
DIRETORIA DA UNIDOS DA VILA DO SAPO
www.viladosapo.com.br
30-01-2009



Fonte: MARISCAL FM

 

 

 

 

 

 

banner

Copyright © 2007 Todos os Direitos Reservados - Fazendo Site