a Bombinhas em Foco ( 18/11/2018 ) a

Duplo assassinato choca comunidade de Bombinhas

O assassinato de dois jovens, na madrugada de segunda-feira, chocou os moradores de Bombinhas. Robson Marcelo dos Santos, 21 anos, e Renato Goulart Correa, 23, perderam a vida nas mãos de Leandro Araújo, 22, e Juliano Lotterrmann, 26, que confessaram os crimes. Robson levou um tiro na cabeça, no costão da praia de Bombas, e Leandro foi morto a pedradas no estacionamento do mercado Schmidt, na avenida Leopoldo Zarling.

O primeiro crime foi dor de corno pura. Robson é irmão de Vânia Teixeira dos Santos, 27, ex-mulher de Leandro. Os irmãos seguiam pro pagode do clube SOS, em Bombas, quando encontraram Leandro, que tava numa moto. Vânia saiu com o ex-marido em direção à praia pra conversar, enquanto Robson continuou o caminho pro bate-coxa.

Vânia contou que na praia o ex-marido começou a agredí-la. Quando ela finalmente caiu ferida, ele telefonou pra um amigo e fugiu. A mulher pensou que o horror tinha acabado. Poucos minutos depois Leandro teria voltado no carro de Juliano. Desta vez ele trouxe uma arma pra matar a ex.

Robson encontra a morte

Segundo o relato de Vânia, Robson deve ter percebido que o ex-cunhado tava esquisito e ficou preocupado com a irmã. Ele chegou à praia pouco tempo depois. Os assassinos ameaçaram os irmãos e mandaram os dois entrarem no carro. Os quatro seguiram pro costão da praia de Bombas.

Lá os assassinos teriam mandado os irmãos ficarem de cabeça baixa. Robson levou o primeiro tiro, mas Vânia diz que não viu quem atirou. Em seguida dispararam contra ela. A bala atingiu sua cabeça de raspão, mas ela se fingiu de morta pra sobreviver.

Bom rapaz

Ontem à tarde amigos e parentes acompanhavam o velório de Robson. Muito emocionada, a amiga Vanessa da Cruz, 20, disse que ele era um bom rapaz. "Isso é terrível. Ele era bom, não fazia nada de errado", comentou. A vizinha Simone Matilde Garcia, 22, confirmou que Robson era gente boa. Ela disse que jamais presenciou brigas entre Vânia e o ex-marido. "Ninguém nunca soube de briga", afirmou.

Mistério

O segundo crime é o que intriga a polícia. Renato Goulart Correa tinha chegado a Bombinhas no domingo. Ele veio do Mato Grosso pra fazer uma graninha trampando na temporada. Não teve tempo. Renato morreu à base de pedradas, pouco tempo depois de Robson. De acordo o delegado Luiz Carlos Hauffe, os assassinos teriam deixado o carro no estacionamento do mercado Schmidt. Eles disseram ter visto o sogro de Juliano, Tarcísio Teixeira, 52, que é vigia do mercado, brigando com Renato. Tarcísio teria dito à polícia que foi provocado por Renato.

Não tá descartada a hipótese de Renato ter presenciado o primeiro crime de alguma maneira, e ter sido assassinado por isso. O DIARINHO tentou localizar o irmão do rapaz, que morava em Bombas, pra falar sobre o caso, mas ele não foi encontrado. O corpo de Renato seguiu pro Mato Grosso, onde vive sua família. A polícia Civil vai investigar a fundo as duas mortes violentas.

Sangue-frio

De dentro do xilindró da delegacia de Bombas, Leandro Araújo, que trampava como instalador de pisos, confirmou ao DIARINHO que atirou contra o ex-cunhado. "Era uma rixa antiga", disse. O assassino afirmou que tá arrependido. "Eu não queria atirar neles. Queria dar um susto, mas aconteceu. Aquela mulher me incomodava demais porque queria voltar comigo", declarou.

Na versão de Leandro, tudo rolou porque Vânia teria tentado quebrar sua moto. "Ela arrancou a chave da minha mão e avançou em mim". Questionado sobre a morte de Robson, Leandro lascou que atirou contra o rapaz porque este teria lhe dado um soco. "Ele me deu um soco depois que viu eu empurrar a irmã dele". O companheiro de cela, o outro assassino, Juliano, não quis falar sobre os assassinatos. Sobre a morte de Renato ninguém quis dar um pio.

Ontem os vermelhinhos de Bombinhas tentaram encontrar a arma usada no primeiro crime, que segundo Juliano e Leandro teria sido jogada no mar. Até o início da noite de ontem ela não tinha sido encontrada.

Dor e saudades

Vânia se apega a um dos filhos pequenos pra acalmar a dor de ter perdido seu irmão. "Eu deixei ele com vida em cima daquela pedra. Ele disse que o tiro tinha acertado, mas eu não vi onde foi. Vi sangue na minha mão mas achei que fosse meu. Quando fui buscar ajuda ele tava respirando". As palavras são interrompidas pelas lágrimas de Vânia.

Ela conta que apanhou muito do ex-marido na praia. "Ele nunca tinha sido violento comigo", afirma. Vânia diz que ainda gostava de Leandro, por isso o procurava com freqüência. Ontem ele não queria saber de conversa. "Ele me grudou pelos cabelos e me arrastou pela praia. Disse que eu não merecia viver e que eu não teria mais história pra contar", afirma.

Robson teria implorado a Leandro pra não morrer. "Meu irmão pediu tanto pelo amor de Deus pra deixar a gente em paz, porque os dois eram amigos", fala Vânia. Depois que os assassinos fugiram do costão, a mulher diz que procurou ajuda. Foi socorrida pelo vigia de uma pousada onde ela trabalhou no verão passado. Ele avisou à polícia.




Fonte: DIÁRIO DO LITORAL (Litoral Catarinense)

 

 

 

 

 

 

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